Provavelmente isso não é surpresa: o período da Covid não foi um dos preferidos do setor de eventos. Na França, entre março e outubro, as perdas acumuladas pelo setor ultrapassaram 15 bilhões de euros.

Então, como agir quando se é uma startup de eventos e, de um dia para o outro, os eventos vão sendo cancelados um após o outro e a visibilidade começa a faltar?

A cultura startup como melhor aliada para atravessar a tempestade

Transformar uma dificuldade em oportunidades de negócio é uma marca comum da cultura startup.

Como nos velhos tempos em que foi preciso fazer o projeto Digitevent decolar, foi necessário encontrar e adaptar o modelo de negócio a um mercado transformado, criar novas ofertas, entregar funcionalidades em tempo recorde e encontrar novos parceiros.

A juventude e a mentalidade das equipes, tanto internamente quanto, de forma mais ampla, no ecossistema startup, também são um fator determinante de sucesso. A flexibilidade dos colaboradores diante dos imprevistos e seu domínio do digital são trunfos em caso de mudança repentina de configuração (trabalho remoto, novos processos organizacionais, etc.).

Reagir rápido, mas com tempo para refletir

Lucien Derhy, cofundador da Digitevent, fala sobre os últimos meses.

“Desde o fim de fevereiro, antecipamos os cancelamentos e nos organizamos para limitar o impacto de uma crise cuja duração ainda não conseguíamos quantificar totalmente. Por isso, congelamos as contratações (exceto para desenvolvedores), organizamos o trabalho remoto, tranquilizamos as equipes, ajustamos os ritmos de trabalho e decidimos acelerar os investimentos tecnológicos, olhando para o futuro.

Em seguida, reservamos um tempo para organizar um sprint estratégico de duas semanas para reunir as opiniões e as necessidades de todas as partes interessadas: colaboradores, clientes, parceiros, entre outros. Isso nos permitiu identificar, sem preconceitos, os novos desafios que a Covid trouxe à tona. De certa forma, isso nos obrigou a ter um distanciamento que a correria do dia a dia não permitia”.

Os novos eixos estratégicos

O desafio era responder às novas demandas de um mercado em busca de novas referências e ajudar os organizadores na implementação operacional de soluções inovadoras: “Foi preciso propor alternativas de ponta a ponta para todos os tipos de eventos: seminários, conferências virtuais, encontros profissionais com reuniões B2B por vídeo, etc.”

Foi em torno dessas questões que o ecossistema se estruturou já na primavera de 2020.

Para evitar cancelamentos e limitar adiamentos, reorganizamos nossa roadmap em tempo recorde, implementamos soluções tecnológicas inéditas, treinamos as equipes e garantimos a comunicação em torno das novas ofertas para ganhar notoriedade em um mercado ainda pouco explorado.

Além desse treinamento interno, um grande trabalho foi feito para orientar, explicar e acompanhar clientes por vezes desnorteados pelos desafios dessas novas questões.

Também revisamos todos os nossos materiais (site, apresentações comerciais, cases de clientes, artigos, e-book sobre eventos virtuais, etc.) para transmitir confiança sobre nossa expertise em gerenciar eventos virtuais e híbridos de ponta a ponta.

Novas alianças improváveis também surgiram no setor, já que o desafio era dar visibilidade às soluções. Por exemplo, startups que ofereciam tecnologias de streaming passaram a trabalhar com produtores e especialistas em captação de imagem. O que era exceção se tornou regra, criando novas sinergias claramente promissoras para os próximos anos.

Uma prévia do futuro da indústria de eventos

Como já deve ter percebido, o setor de eventos em 2020 foi um pouco como a corrida do Oeste!

Em resumo, a Covid acabou sendo um catalisador para as startups. Aquelas em dificuldade, ou que sofriam de falta de visão, foram duramente alcançadas pela realidade do mercado. Já para as outras, a Covid serviu como acelerador de inovação. Essa consolidação do mercado (ou “seleção natural”, para os mais próximos) não deu trégua a nenhum player.

O lado positivo de tudo isso? Podemos esperar que o ambiente competitivo dos próximos anos seja, assim, mais completo, confiável e robusto.

Na maioria dos casos, o evento virtual continuará sendo um substituto valioso, mas imperfeito. Como prova, 93% dos franceses afirmam sentir “falta de eventos” presenciais desde o fim das restrições. O conceito de zoom-fatigue, aliás, surgiu nesse meio-tempo.

A maioria dos organizadores, aliás, confirma que o presencial continua sendo seu formato preferido para o pós-Covid. A maior parte espera uma retomada já no início de 2021, com a chegada dos dias mais quentes e o começo da vacinação.